domingo, 1 de novembro de 2026

O TRISTE FIM DO JUMENTO DIPLOMADO

Quando eu era mais novo, eu gostava muito dos documentarios do Discovery Channel. Os temas que mais me interessavam eram as grandes revoluções e os regimes macabros: 1789, revolução russa, o hitlerismo no esplendor do seu poder.

Resignado, eu também tinha a convicção de que nunca viveria algo parecido. Nessa época, meados de 2010, era como se estivéssemos instalados naquilo que Fukuyama chamou de “o fim da história” -- nada de novo poderia acontecer. O maximo de tensão politica se encontrava naquela séries de artigos “O Lula é Minha Anta”, do Diogo Mainardi. 

Nos debates eleitorais, também era uma profuão grotesca de esquerdismo lingua de pau, e a unica coisa que se discutia era quem iria dar o maior deconto na tarifa de ônibus.

Até que chegamos no ano de 2013, e com ele, a História (aquela com "H" maiusculo), acordou do sono no qual jazia há muitas décadas. 

As contradições internas dos sistemas de poder chegaram naquele ponto crucial no qual, como dizia Mao Tsé-Tung, a quantidade transmuta-se em qualidade, fazendo com que as flores da ambivalência começassem a germinar aqui e ali, desvelando a natureza daquelas dinâmicas latentes que repousavam até então escondidas.

De 2013 até 2019, testemunhamos um crescendo de fenômenos revolucionarios/subversivos, começando com a eleição do empresario punk Donald J. Trump em 2016. Depois disso, veio o Brexit, seguido da eleição de Jair Messias Bolsonaro em 2018.

Até que chegamos em 2020, e as primeiras ofensivas contra-revolucionarias se organizaram.

Os respectivos establishments estudaram o inimigo novo, e partiram para um ataque fatal naquilo que eu chamo de "Batalha do Covid", espécie de coordenão mundial complexa, orquestrada pelo poder oficial com o objetico de destruir os novos opositores.

Nesse momento, lembrei-me dos pensamentos de 2010, convicto de que meus prognosticos se equivocaram.

A melflua paz dentro da qual eu vivia, não era a paz do fim da historia de Fukuyama, mas aquela de um sistema bem estabelecido, sem nenhum rival a altura em posição de suplanta-lo

De modo que a aventura que eu imaginava nunca viver, instalava-se agora diante dos meus olhos. No entanto, ela não foi recebida por mim com excitação, mas com preocupação.  

Acabei descobrindo que os regimes do nosso tempo também estão contaminados pelo germe totalitario, mas essa semente não esta marcado com os traços de uma classe social ou raça especifica. 

Trata-se de um totalitarismo que tem a pretensão de ser cientifico, e ele aparece fantasiado com as roupas de um pragmatismo supra-ideologico, corroborados por uma multidao de celerados incultos. 

Vou explicar-lhes como isso aconteceu.

Na Inglaterra vitoriana e até meados dos anos 40, ápice do poderio geopolitico britânico, as elites dominantes não seguiam formação universitária no sentido estrito que elas seguem hoje em dia.

As especializações — engenharia, medicina, direito, etc., ciências menores — eram feitas sob medida para a burguesia, ao passo que os filhos da aristocracia, seguiam uma formação totalmente diferente. Era uma educação que se assemelhava muito mais a uma ética.

Os alunos eram estimulados a se dedicarem a uma prática esportiva imbuida do espírito “fair play”, e recebiam uma formação de Artes Liberais - Gramática, Retórica, Dialética, Astrologia, Música, Geometria, Aritmética. O grande exemplo da época são os alunos do professor John Ruskin, professor Slade de Belas Artes da Universidade de Oxford, que formou uma pleiade de jovens 

Portanto, a regra era formação literária e artes liberais para as elites, especialização acadêmica para as massas.

A ocupação dos oficios publicos também seguia esta mesma logica, de modo que essa elite culta ocupava os principais encargos do estado, delegando as tarefas específicas e intelectualmente menores aos especialistas. 

Nessa época, os donos do poder ainda tinham consciência de que as grandes questões pertencem ao homem culto, não ao burocrata burguês diplomado numa ciência específica.

Mas este tempo foi superado.

A Inglaterra pós-Primeira Guerra, tentou salvar o padrão ouro sem sucesso, de depois da Segunda Guerra, viu a sua moeda, Pounds Sterling, perder o prestigio do qual gozou durante muitos séculos. 

Junto com o sistema de Breton Woods, desta vez ancorado no dólar, um novo tipo de indivíduo emergiu, o burguês, que, copensava a sua falta de cultura com diplomas, pela ambição de subir na vida e um culto da eficiência.

Ademais, os avanços tecnologicos e a sucessiva complexificação da sociedade e atividades do aparelho do estado, acabaram dando a ese tipo de individuo a convicção da qual ele tanto necessitava de que a sua posição era. 

De forma geral, é possivel afirmar que esse tipo de indivíduo corresponde ao arquétipo que ocupou o topo dos cargos e funções desde os anos 60 até a nossa época, aonde as consequências tragicas deste fenùomeno começam a aparecer. 

No Brasil, o paroxismo dessa situação pode ser observado durante a época do Covid, no culto a idiotas superdiplomados como Doutor Pirula e Átila Iamarino. 

Mas como é que uma sociedade consegue fabricar esse tipo especifico de pessoa?

Isso acontece porque a semente do conhecimento técnico que eles recebem na faculdade cai sobre uma terra árida e desprovida de alta cultura. Esta alminha pobre, espécie de ermo desolado, entra em contato com ceonceitos e idéias totalmente desconhecido, e, não tendo nenhuma referência com a qual comparar a nova realiade, toma todo aquele mundo como se tratasse de, numa espécie de efeito hipnotico vertiginoso.

Quando saem de la com os seus respectivos dipromas, é como se tivessem recebido a unção sacerdotal que lhes habilita para grandes cargos,  e de la, sentem-se imbuidos da sacrossanta missao de dicipula re ensinar todoas as outras pessoas da sociedade com o seu conhecimento, tal o jesuita diante do gentio amerindio. 

O unico problema é que esessa espécie de individuo semi-educado, simplesmente não tem a estatutra necessaira para lidar com as grandes questões da humanidade, e as contradições desse modelo não são superadas e acabam transcendendo as capacidade de sua imaginação tosca.

Em paralelo, outro fenômeno 


Incrivelmente, parte da população mundial, mesmo desprovida da habilidade de lidar com esse discurso diabolico eque o discurso científico, espécie de feiItiçaria torpe, dentro de si ainda conseguem intuir a prolixidade e a sacanagem com a mesma limpidez de que 1=1=2.

5 décadas de lavagem cerebral e invasão vertical dos bárbaros não conseguiu apagar a chama dentro da alma da humanidade, provando de forma fatal a inelutabilidade da maxima “As portas do inferno não hão de prevalecer contra a minha igreja”.

Ai no Brasil, a coisa já começou a cair. Mas vi algo nos últimos dias que me estarreceu.

Uma senhora chamada Olivia Carneiro, que se gaba de ter estudado economia na USP (se fosse um curso de engenharia ou medicina au ainda diria que é alguma coisa, mas economia é um curso bosta). e feito um mestrado na University of Chicago. Gosta de xingar coaches na internet e se gaba de ter sido orientada por um individuo que ganhou o prêmio nobel, coisa típica de brasileiro caipira.

Assista um ou dois vídeos da genial mestre de economia. É verdade que os coaches são uma bosta, mas ela metralha uma série de imbecilidades econômicas, e tudo com a convicção de quem desceu do Olimpo com um conhecimento sublime.

As pessoas — todos idiotas incultos — idolatram a professora como se estivessem diante de um anjo, porque, veja bem, ela estudou com Nobel.

Quem não conhece a história da decadência das universidades europeias e americanas pode até se impressionar.

Mas eu sei que é a dinâmica do caipirismo tupiniquim em todo o seu esplendor. Que Deus continue nos protegendo, e que possamos ir até o final do ciclo, de modo a destruir o império dos diplomados celerados.