"O nome é o destino".
É o que diz Eric Zemmour, expoente da direita francesa, quando em seus discursos troveja contra a liberdade outorgada pelo estado aos pais, que desde a fatídica lei nº 93-22, de 8 de janeiro de 1993, têm o poder de darem a seus filhos os nomes que bem entenderem.
Muitos não percebem, mas Zemmour compreendeu muito bem esta verdade um tanto elusiva, mas mortalmente profunda: o nome possui um peso importantíssimo na vida do sujeito, investindo-o de uma aura inelutável, contra a qual nem mesmo a vontade mais tenaz pode se opor.
Também pudera. Com esse nome? Como a coisa poderia se dar de forma diferente?
Eric do Carmo Ribeiro Silva e Luciano Machado Tomaz são nomes de escritores, de poetas. Soam quase como Camilo Castelo Branco, Manuel Antônio de Almeida.
Agora Carlos Stein, não.
Carlos Stein é nome de comedor. É nome de fotógrafo buceteiro -- velejador rico, predador e desflorador de modelos sublimes. Tipo Amir Kink, Joshua Slocum, Robert Scheidt, Théo Becker.
É nome de empresário meio gênio e meio sacana, meio milionário e meio quebrado: que tem cobertura em Copacabana em litígio judicial.
Um Carlos Stein digno deste nome é certamente amigo de grã-finos e mendigos, também frequenta grandes empresários e traficantes; oscila aqui e ali entre o bas-fond do inferno e o sétimo céu, numa espécie de epopéia dantesca meio dandy.
Na última semana, o nosso amigo teve experiências que confirmaram esta verdade ontológica. Em poucos dias, conseguiu a façanha de perder 20.000 mil dólares, apaixonou-se por uma gostosa e jurou ter 6 filhos com ela (mas no dia seguinte, descobriu que na realidade tratava-se de uma espiã, que incrustara-se em sua vida com o objetivo de sabotá-lo). Na mesma semana, o nosso herói também foi perseguido por mafiosos, e teve que que fugir para outro continente. Um thriller digno de James Bond.
Mas veja bem, nada disso seria possível se o nosso amigo não se chamasse Carlos Stein. Um Rafael dos Santos Ramalho não poderia viver experiências dessa natureza.
Compartilhei essa ideia com o próprio Carlos Stein, que achou a coisa engraçada. Inclusive, autorizou-me a ir até o final da inspiração criativa que eu acabara de receber.
Durante as conversas, ocorreu-me igualmente um insight acerca de outro amigo em comum, e um dos maiores expoentes do movimento olavista: Ronald Robson. Talvez o único dos alunos de Olavo de Carvalho que estudou pormenorizadamente a sua obra -- e que escreveu livros.
O seu talento filosófico é inelutável e estarrecedor, mas o nome permanece obstrutivo: Ronald Robson.
Ronald Robson não é nome de filósofo. É nome de jogador de futebol, é uma mistura de Ronaldinho e Robgol.
Ao pronunciar Ronald Robson, é inevitável para mim não pensar numa narração de Silvio Luis, relatando as jogadas formidáveis de nosso amigo com a camisa amerelinha, driblando uma fila de zagueiros e marcando um golaço de placa.
Eis uma contradição acerca da qual espero que o tempo possa elucidar -- veritas filia temporis. Como é que o destino vai resolver a situação paradoxal de nosso amigo, intelectual notável, que possui nome de craque de bola e a sabedoria de um grande filósofo?
Talvez isso seja um sinal da Fortuna, e que as glórias da nossa equipe nacional talvez tenham sido apenas uma imagem de outras glórias, ainda mais auspiciosas, que estão por vir e hão de se desdobrar sobre o destino do Brasil.

